segunda-feira, 1 de junho de 2026

 

 

Tempo Fugis

 

 

Desejo

Chocolate quente

Pássaros na chuva

Canção da vida

 

E o tempo

Passou, passou, passou...

 

Mas ainda sinto desejo

De brincar na chuva

E depois

Chocolate quente

Colo de ternura.

 

 

sábado, 31 de julho de 2010

Quando a luz dos olhos dela se encontrou com os olhos dela





    Depois de tantos dias entrega ao desânimo, esquecida por todos, até por ela mesma, cabelos virando “dred”, unhas roídas e cutículas por fazer, pernas cabeludas e sem os dourados pelos que sempre recebiam elogios, sobrancelhas horrorosas parecendo lobisomem, boca sem batom, pele sem viço e sem perfume, dentes sem sorriso “colgate!, cabeça sem planos, coração sem esperança, dia sem luminosidade, olhos sem luz. Há muito sem sair para ver o dia acontecer, ficar sob a luminosidade do sol e da lua.
Esquecida estava até mesmo de passear admirando o céu bordado de estrelas, sentir o calor do sol penetrar os poros ou a brisa suave que emana no amanhecer, coisas essas que ela adorava fazer todos os dias...
   Há tanto tempo estava entregue, sem abrir as janelas, as portas, o coração, a mente, para deixar o ar da vida penetrar novamente no seu mundo, entregou-se ao abandono que a fez esquecer-se das cores e ficar no mundo preto e branco, esquecida de tudo, sem ouvir o barulho da vida e sequer sentir as batidas do próprio coração...
Depois de ter-se entregado ao infortúnio da desvalorização de tudo aquilo que eleva o ser, ela, naquela manhã abriu seus olhos sentindo algo diferente, acordou com um sufoco no peito, algo nela resolveu reagiu contra seu estado de amargura e mesmo enfraquecida começou a pentear os cabelos, encolhidos em “dred” e relutantes ao pente... Só depois de algumas horas entre vários intervalos, em que desanimada deitava quase se entregando ao destino mal traçado novamente, finalmente desembaraçado eles estavam... Ela havia se esquecido do quanto amava seus cabelos e notou que eles estavam mais longos e tão necessitados de cuidados...

   Foi então tomar um banho, lavou-se, lavou-os... Assim ficou por muito tempo debaixo do chuveiro, sentindo o prazer da água a cair sob seu corpo, enquanto a água escorria seus cabelos deslizavam na sua pele e ela ia sentindo-se mais leve, como se estivesse também lavando a alma. Saiu do banho e foi se secando lentamente, quando de repente começou a se olhar no espelho a sua frente, nesse exato momento fogos parecem explodir-se dentro dela, os seus olhos se encontraram com os seus olhos. Uma sensação de doce prazer então tomou conta dela e de todo o seu corpo... Exaltada ela exclama:
Nossa!...
Que linda!... 
   Seu coração bateu forte e os seus olhos, como criança contente, para os seus brilharam agradecidos por ter se lembrado dela. Seus cabelos já secos e mais longos tão lindos estavam, há tanto tempo ela não os via assim... Novamente seu coração bateu forte e olhando ainda para o espelho fala alto:
Eu estou aqui, não morri, estou viva!... Não vou ficar entregue ao descaso do mundo, ao descaso de mim, não vai ser as minhas pendências que vão me conservar nessa escravidão, meu corpo está aqui, minha razão, meu coração!...

   E olha-se nos olhos seus brilhando de amor pensando novamente em voz alta:
- A menina voltou, voltou para a vida, voltou por ter descoberto o quanto se ama e precisa cuidar desse amor.



   "Se você não brilhar seus olhos nos seus olhos, dificilmente vai fazer brilhar outros olhos!"

quarta-feira, 28 de julho de 2010

Duendes da madrugada


Duendes entram no meu quarto enquanto o sono me foge e a insônia me traz pensamentos tristes...
Eles levam-me até a janela para me mostrar à beleza da noite que está clara e iluminada por um céu bordado de estrelas que brincam numa grande festa. Meus olhos ao se deparar com tamanha beleza não só brilham como fazem minha alma iluminada.
A beleza é contagiante, enobrecedora, causando-me um estonteante encantamento, sinto-me no meio delas, festejando Aquela magnitude.




Você ai, abre a janela, venha admirar essa festa no céu em vez de ficar rolando na cama sem sono...

SEM MUDANÇAS PARA MELHOR E SEM SHOWMICIOS O QUE É PIOR.



E a nossa Cidade que ia mudar, mudou sim, ficou mais triste... Lembro bem aquele ano 2004, último ano a ser permitido ter showmícios nas campanhas políticas no nosso País.
Nossa Cidade de povo humilde, rostos cansados e tantos motivos para chorar era invadida por carros de som, que entre promessas de mudanças também anunciava sempre mais um showmício, para alegrar o povo “cheio de esperança”.
Nossa, hoje aqui diante dessa praça, passa na minha mente imagens de tantos momentos gratificantes aqui vividos, multidão envolvida pela magia aguardava mais uma música, aglomerados e cheios de empolgação. Uns dançavam, outros pulavam e as barraquinhas cheias de guloseima eram mais um atrativo.
A satisfação que o povo experimentava ao assistir emocionado o seu ídolo cantar tão de pertinho era algo que ressoava na distância, com seus gritos de euforia.  Certeza havia, naquele momento, nada precisava mudar. Não há como negar a alegria do povo estava ali visível naquela euforia que não tinha preço, por isso nem precisava esperar nada do povo a não ser aquela algazarra que todos faziam entre aplausos, gritos, declarações de amor, beijo na boca e muita festa e brilho no olhar. A promessa de voto do povo era falsa como a promessa de mudanças para melhor.
Hoje aqui, fico com meus olhos percorrendo tudo a volta, buscando um vestígio daqueles dias felizes onde todo ano político era sinônimo de muita festa e alegria. Esse ano eu estou de volta a está mesma praça, justamente em mais um ano político, o que aqui vejo é desânimo do povo, povo esse que já não espera enganar o político com sua promessa de voto enquanto curtiam a apresentação do seu ídolo.
Nesta praça eu assisti shows maravilhosos, foram centenas de apresentações de cantores famosos, ídolos do povo que só assim foi permitido para tantos assisti-los ao vivo já que a Cidade é de uma população menos privilegiada e na nossa Cidade não se fazem shows para o povo, faziam sim e muitos em época como essa de eleição. A ilusão não era do povo, ela pertencia ao candidato, eles acreditavam que tais apresentações trariam votos para eles, não sabiam que o povo não tem ilusão, nem mesmo em agradecimento aos momentos felizes que a eles proporcionavam.
Nesta praça fizeram do autor de tantos momentos de emoção acreditar ter a vitória na mão e ele disse que esse chão iria mudar... Mas, o povo não acreditou e o que mudou foi à proibição dos showmícios que acabou com a alegria do povo que aguardava ansiosos mais um ano de eleição.

Lembrei, neste momento, algo interessante: tivemos, em abril desse nosso ano, de presente desse mesmo autor, agora já sem promessas de mudanças para melhor uma maravilhosa atração.  Em homenagem ao dia do trabalhador ele proporcionou uma "canja," acho que foi apenas para os mais atentos se lembrarem daquele tempo de alegria na praça e no coração do povo.

Glorinha Gaivota - GG

Viagem


Acordei naquele dia com a mente, peito, respiração... enfim tudo em mim, totalmente repleta do tempo que não volta mais. Lembranças congestionadas na mente e no coração me faziam sorrir, chorar, lembrar e mais lembrar...

Logo quando abri meus olhos senti um cheiro de outrora e ouvi nossos risos... Engraçado, parecia que eu havia retornado o tempo, olhei a volta e de imediato fui invadida pelas lembranças... Senti o cheirinho da pasta de dente misturado com o café sendo coado e o aroma daquela manhã, mas hoje estava tudo diferente, esse momento eu já tinha vivido. 
Alguma coisa em mim nessa manhã me fazia sentir presente o passado, sentei-me para o café e a mesa estava posta de lembranças, cadeiras vazias e, no entanto sentadas estavam tantos. Mesmo de olhos abertos lá eu avistava meus pais, irmãos, amigos, amores e até o vazio das tantas vezes que para aquela mesa olhei e nada avistei... 

Solidão... Saudade... A vida é uma viagem em que vamos prosseguindo levando na bagagem o aprendizado e as lembranças. Partindo e sendo partido pelas dores dos desencontros e perdas da caminhada...



Um cafezinho?


Um cafezinho para aquecer a alma e prosseguir a viagem...



"Coisa de criança"

Aninha, depois que todos dormiam, levantava devagarzinho, passos leves, se vestia com as roupas da mãe, colocava batom vermelho e se dirigia pé ante pé até a sala de estar, lá chegando ia até o bar, ligava a vitrola e servia um licor de cerejas que adorava.

- Ninguém entendia como ele acabava tão rápido, sequer imaginavam as aventuras noturnas de Aninha.

Ela, envolvida pela música, já aperfeiçoada nos passos de tantas noites secretamente fazer as suas estripulias, equilibrava-se nos saltos das sandálias dourada da mãe e rodopiava feita gente grande...